terça-feira, 16 de junho de 2015

18/02/15 - tempestade de ideias - mapa de imagens

Algum dia entre 11 e 19 de fevereiro de 2015

Para o primeiro trabalho expressivo solicitado pelo professor, algumas ideias:
  •  Chaves
  • Casa
  • Espiral
  • Feminino, vagina, imagem de Joálisson
  • Ícaro, Dora Aventureira, Show da Luna, Júlio Júnior, Garfield, Batman
  • Separação
  • Rompimentos
  • Labirinto
  • Todas as imagens partidas em duas, com seus pedaços em diferentes pontos do percurso
  • Mapa do tesouro
  • Garrafa com mensagem, fio que amarra os pedaços, preso por uma ponta na rolha
  • Fotos, mechas de cabelo, aliança, flores, televisão, cerveja, dinheiro, livros

DO POETA LÚCIO LINS:

maria das águas

eu sou

Maria das Águas
nome e fado
que a mim
me foram dados
pelo movimento
dos barcos


eu sou

Maria das Águas
desde Maria menina
quando só Maria
e ainda 
pelo mangue
sob os céus
brincava
de transportar nuvens
em barcos de papel


dos meus nada sei

salvo o talvez
tenham ido
nos barcos de antes


e tenho uma vaga

na lembrança
que ainda de laços
sargaços e tranças
já tentava esse mar
sem ser de mais dadas
a cada maré que vinha
Maria eu ia
tomando corpo
e o cais tomando gosto
pelos prazeres Maria
que ao porto fui servindo
antes do vinho
da primeira sangria


e foram tantos

quantos os barcos
que a mim me chegaram
com suas almas
nos mastros hasteadas


e foram tantos

quantos os barcos
que em mim me deixaram
sem velas
e com enjôo dos mares


me chegavam

com suas falas diferentes
com seus falos urgentes
e me vestiam a rigor
para suas fantasias


eu me despia

eu me vestia
eu me trocava
(enquanto suas mãos
em meu corpo faziam cruzeiros
eu contava as estrelas)
onde sou lodo
fui veludo


leito de tantos deleites

pelos quatro cantos
do porto
para os quatro cantos
do mundo


confesso que vivi

confesso que bebi
goles e goles de mar
até o mar derradeiro
até saber-me sozinha
até beber-me Maria
garrafa sem mensagem


de mim

todos os barcos já partiram
e sou só ruínas
de um corpo antigo
onde marujos saciaram
suas sedes
aos beijos no gargalo
de minha boca


resta em mim

o que esqueceram
em mim


as marcas de mastros e dentes

a ferrugem das âncoras tatuadas
um iceberg no copo d'água
e o endereço de um mar


veio de mim

esse mar
que hoje bebe


veio de mim

esse mar
de amar sobejo


veio de mim

ser de Maria
Maria das Águas


Maria que canto

com olhos
que olhos d'água


e quando rio

eu rio doce
orvalho na lágrima

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