quarta-feira, 17 de junho de 2015

08/04/2015 - autorretrato

8 de abril de 2015
Autorretrato

Hoje aconteceram as apresentações dos autorretratos, segundo trabalho expressivo exigido na disciplina. Achei interessante a forma como as pessoas se veem, ou permitem serem vistas pelos outros. A formatação da autoimagem que moldamos e adequamos a cada “público”.

Quanto que a opinião do outro importa para nos definirmos?

O meu autorretrato aconteceu como um processo um tanto longo. Um processo de descoberta, de desnude, de desmascaramento. Iniciei a criação a partir de uma boneca, modificando sua estrutura, fazendo algo meio “Fankstein”, com vários braços, cheia de objetos que representam as Celys que sou: filho, cicatrizes, livros, véu de noiva, máscaras, palco, etc., tão múltiplo quanto me considero ser.




Depois, ao ver que aquele monstrengo definitivamente não era eu, resolvi fazer um flipbook, onde mostraria todas as minhas “facetas” em movimento, num zoom out que iria do meu olho, janela da alma, a um quadro super aberto de um palco gigantesco onde eu me encontraria como uma formiguinha, rodeadas de elementos representativos dos meus eus.
Fiz os primeiros rascunhos, ripo storyboard, mas ainda achei eu ele dizia coisa demais, e de menos, mas ainda não me dizia. Afinal, eu já não sei se sou todas essas coisas, ou se sou muito mais que elas.











Uma terceira ideia foi a de assumir uma espetacularização da minha imagem, mesmo. Gravar um vídeo do tipo “confessionário do Big Brother”. Achei a metáfora interessante: num tempo onde nos expomos cada vez mais, e escolhemos como vamos nos mostrar para o outro, assumindo máscaras a cada contexto, promovendo pequenas polêmicas, eventos, etc., ficcionalizando a própria vida à procura de audiência.




Mas, na procura do que me dizia, não me senti à vontade em usar o instrumento que critico para me revelar. Parecia ficcional demais para o tipo de autorretrato a que me proponho.
Sendo assim, resolvi “enxugar” todas as ideias, as palavras, as máscaras, “enxugar” a mim mesma, eliminando tudo aquilo que posso deixar de ser, que é temporário, momentâneo, pontual. Queria me livrar de todos os acessórios, das identidades transitórias, do “estou”, para sobrar-me apenas uma essência, aquilo me identifica profundamente e permanentemente. De maneira muito simples cheguei ao seguinte resultado:



Créditos do foto-vídeo: fotos e pintura corporal de Sandoval Fagundes, música cantada por Mayra Montenegro, edição de Cely Farias. 

Senti muita dificuldade de me definir durante este processo criativo, de escolher de fato quem de mim eu queria mostrar para os meus colegas. Passei do múltiplo ao mínimo. Do complexo, composto, caótico, ao simples, essencial, puro. Acho que consegui chegar muito próximo de mim, da minha verdade individual, do meu espelho mais fiel. E, é claro, ainda assim é só um ponto de vista.


“O que eu sou, a definição de homem ou sujeito não passaria mais pelo cristalizador verbo de definição “é” (eu sou), mas pela relação dinâmica das capacidades que temos de afetar e sermos afetados enquanto corpos, ou seja, o “é” substituído pela capacidade de relação e composição com as forças de fora e de dentro que nos atravessam.” Renato Ferracini, sobre Espinosa. In: Pesquisa em Artes Cênicas.


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