8
de abril de 2015
Autorretrato
Hoje
aconteceram as apresentações dos autorretratos, segundo trabalho expressivo
exigido na disciplina. Achei interessante a forma como as pessoas se veem, ou
permitem serem vistas pelos outros. A formatação da autoimagem que moldamos e
adequamos a cada “público”.
Quanto
que a opinião do outro importa para nos definirmos?
O
meu autorretrato aconteceu como um processo um tanto longo. Um processo de
descoberta, de desnude, de desmascaramento. Iniciei a criação a partir de uma
boneca, modificando sua estrutura, fazendo algo meio “Fankstein”, com vários
braços, cheia de objetos que representam as Celys que sou: filho, cicatrizes,
livros, véu de noiva, máscaras, palco, etc., tão múltiplo quanto me considero
ser.
Depois,
ao ver que aquele monstrengo definitivamente não era eu, resolvi fazer um
flipbook, onde mostraria todas as minhas “facetas” em movimento, num zoom out
que iria do meu olho, janela da alma, a um quadro super aberto de um palco
gigantesco onde eu me encontraria como uma formiguinha, rodeadas de elementos
representativos dos meus eus.
Fiz
os primeiros rascunhos, ripo storyboard, mas ainda achei eu ele dizia coisa
demais, e de menos, mas ainda não me dizia. Afinal, eu já não sei se sou todas
essas coisas, ou se sou muito mais que elas.
Uma
terceira ideia foi a de assumir uma espetacularização da minha imagem, mesmo.
Gravar um vídeo do tipo “confessionário do Big Brother”. Achei a metáfora
interessante: num tempo onde nos expomos cada vez mais, e escolhemos como vamos
nos mostrar para o outro, assumindo máscaras a cada contexto, promovendo
pequenas polêmicas, eventos, etc., ficcionalizando a própria vida à procura de
audiência.
Mas,
na procura do que me dizia, não me senti à vontade em usar o instrumento que
critico para me revelar. Parecia ficcional demais para o tipo de autorretrato a
que me proponho.
Sendo
assim, resolvi “enxugar” todas as ideias, as palavras, as máscaras, “enxugar” a
mim mesma, eliminando tudo aquilo que posso deixar de ser, que é temporário,
momentâneo, pontual. Queria me livrar de todos os acessórios, das identidades
transitórias, do “estou”, para sobrar-me apenas uma essência, aquilo me identifica
profundamente e permanentemente. De maneira muito simples cheguei ao seguinte
resultado:
Créditos do foto-vídeo: fotos e pintura corporal de Sandoval Fagundes, música cantada por Mayra Montenegro, edição de Cely Farias.
Senti
muita dificuldade de me definir durante este processo criativo, de escolher de
fato quem de mim eu queria mostrar para os meus colegas. Passei do múltiplo ao
mínimo. Do complexo, composto, caótico, ao simples, essencial, puro. Acho que
consegui chegar muito próximo de mim, da minha verdade individual, do meu
espelho mais fiel. E, é claro, ainda assim é só um ponto de vista.
“O que eu sou, a definição de
homem ou sujeito não passaria mais pelo cristalizador verbo de definição “é”
(eu sou), mas pela relação dinâmica das capacidades que temos de afetar e
sermos afetados enquanto corpos, ou seja, o “é” substituído pela capacidade de
relação e composição com as forças de fora e de dentro que nos atravessam.” Renato
Ferracini, sobre Espinosa. In: Pesquisa em Artes Cênicas.
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