quarta-feira, 17 de junho de 2015

27/05/2015 - Anti-ID

27 de maio de 2015
Anti-ID

Concluo meu portfólio apresentando meu quarto trabalho expressivo, em vídeo, e fazendo um breve relato sobre o seu processo de criação e sobre a experiência da disciplina Cultura da Imagem na Pós Modernidade.





Eu produzi um vídeo curto, que intitulo Anti-ID. Para a criação, que tinha como mote sugerido o corpo e/ou a tecnologia, tentei combinar os dois da maneira que descrevo a seguir:

Inicialmente, fiz uma pesquisa na rede social Facebook, levantando quais as últimas postagens feitas pelos meus colegas de turma. Selecionei imagens, músicas e textos de cada um deles, do material que eles ofereciam em seus próprios perfis. Para cada um deles, também criei um célula corpórea, que caracterizasse algum traço pessoal ou mesmo algum fragmento de trabalho artístico já apresentado em sala.

Meu corpo era o instrumento, o qual tentei neutralizar ao máximo, com figurino e maquiagem. Mas ainda assim a neutralização, tal qual as identidades divulgadas, é fabricada, é moldada estética e artisticamente.

Fiz então uma montagem que associasse imagens, corpo e texto. Este último foi gravado em off, com uma voz eletrônica, fria e sem alma. No vídeo eu faço apenas a dublagem.

Essas escolhas se deram na busca por atribuir o mínimo possível de mim a esses indivíduos que tentava retratar. Tentei destacar do contexto das redes sociais as suas identidades, neutralizando-as, recombinando-as numa grande colagem sem cara, sem nome, sem identidade definida. Um ser híbrido, que é todos e nenhum. Um ser que, para mim, retrata o que é o homem atual: uma grande colagem de uma série de referências, combinadas e recombinadas de acordo com o contexto, não fixas, constantemente atualizadas, reinventadas, numa incessante busca por aceitação. Num fluxo de relações virtuais tão breves quanto superficiais.

O vídeo é completamente experimental, e não se pretende uma obra artística acabada, ou tecnicamente perfeita. É uma provocação, e ao mesmo tempo um lugar de comungar com os colegas a finalização de um ciclo juntos. Poder ser cada um em mim é também um gesto de afago, de apreço e admiração. É a celebração dos encontros, por mais fugazes que sejam.

Nesta grande rede que é a vida, são esses entrecruzamentos que também nos constituem, nos afetam e modificam. Termino esta primeira parte da minha jornada no mestrado me sentido diferente, maior, melhor. Tive a oportunidade de cruzar comigo mesma em muitos momentos, em muitos espelhos. Esse olhar para dentro me faz querer verticalizar ainda mais esta experiência, me dá forças para os próximos passos e encontros.

Sinto-me agradecida pelas trocas edificantes, e também pelas nem tão edificantes assim. As experiências ruins também nos constroem. E a estrada segue adiante, com caminhos a serem percorridos, obstáculos a serem vencidos e encontros, muitos, a serem celebrados.



Mãos dadas
                                            Carlos Drumond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.


06/05/2015 - Esse amor que nos consome

06 de maio de 2015

Assistimos ao filme “Esse amor que nos consome”, uma produção da 3 Moinhos, com roteiro de Allan Ribeiro e Gatto Larsen e direção de Allan Ribeiro.




Além do filme como mote, também aconteceu a discussão dos textos de Bauman sobre tempo e espaço. Este, aliás, foi a minha principal inspiração para o ensaio que escrevi e que transcrevo a seguir.


A performance como forma de resistência à civilidade na modernidade líquida

            Este ensaio pretende estabelecer um paralelo entre a performance e a ideia trazida por Bauman sobre a civilidade, exposta por Richard Sennett:

 a atividade que protege as pessoas umas das outras, permitindo, contudo, que possam estar juntas. Usar uma máscara é a essência da civilidade. As máscaras permitem a socibilidade pura, distante das circunstâncias do poder, do mal-estar e dos sentimentos privados das pessoas que as usam. A civilidade tem como objetivo proteger os outros de serem sobrecarregados com nosso peso.

A arte da performance possui características muito particulares, a saber: de quebra da quarta parede, participação do espectador, constituição de um campo de experimentação baseado na apreensão das relações do sujeito com o mundo.

Logo sua natureza é ir contra o contrato de civilidade estabelecido na sociedade atual. A performance tem a função de instigar, pressionar, induzir as pessoas a tirarem suas máscaras e deixar-se ir, expressar-se, confessar seus sentimentos íntimos e exibir seus pensamentos, sonhos e angústias. Tais características são diametralmente opostas ao que se estabeleceu enquanto civilidade na modernidade líquida.

            O personagem Fausto, de Goethe, já preconizava o que hoje determina o modo de vida na modernidade líquida, quando dizia que desejava sentir toda a sorte de sentimento do mundo, ainda que para isso tivesse que entregar sua alma ao diabo. As ilimitadas sensações possíveis são hoje muito mais atraentes do que a ideia de duração infinita, de longo prazo.

            Ao mesmo tempo em que a arte do ator dialoga com essa modernidade líquida, e já dizia Brook que :

Teatro tem que ter uma faceta cotidiana, pois a vida é o que ele conhece. E precisa ter substância e significados oriundos da experiência humana. [...] Para viver no presente uma experiência teatral temos que acompanhar a pulsação do nosso tempo. Combinar a criatividade com a superfície mutável da vida.(pg 79)

            O teatro está em diálogo com o mundo ao redor, influenciado por ele e o influenciando. A arte, tal qual a modernidade líquida, vem se transformando, assumindo a instantaneidade do momento presente, da experiência como potencia. Em diálogo com as transformações trazidas pela modernidade líquida, também o artista parece livre da obsessão de se prender à sua obra. Sua arte surge e desaparece de maneira igualmente rápida. O artista, muitas vezes, prefere colocar-se numa rede de possibilidades a demorar-se num trabalho particular.

            Minha trajetória enquanto artista me coloca neste lugar líquido, quando percebo a profusão de obras eventuais, de curta duração, de experiências que nascem e morrem num pequeno intervalo de tempo, às vezes quase instantaneamente. O próprio movimento da performance tem essa característica fluida, fugaz, transitória. Ao contrário dos movimentos de teatro de grupo, resistências raras à tendência atual, vemos um volume cada vez maor de espetáculos “de elenco”, com duração de poucas temporadas,  ou ainda as companhias de um dono só, onde a rotatividade de atores é característica primeira.

            O artista não mais desenvolve apego ou compromisso duradouro com nada, nem mesmo com suas próprias criações. Ele não se mantém no mesmo caminho por muito tempo, pois sempre mantem a possibilidade de mudar de direção, voltar atrás, construir novas trajetórias, constante e instantaneamente. Como afirma Bauman, “A indiferença em relação à duração transforma a imortalidade de uma ideia numa experiência e faz dela um objeto de consumo imediato” (p. 144).

            Parafraseando Polanyi, sobre o trabalho (do ator): A arte do ator não pode ser uma mercadoria, dado que não pode ser vendida ou comprada separade de seus portadores. Arte incorporada: arte que não pode ser movida sem mover o corpo do artista. Mas também é forma de resistencia, á medida em que se coloca enquanto questionadora dos individualismos, dos não espaços.

            Bauman afirma que

A capacidade de conviver com a diferença, sem falar na capacidade de gostar dessa vida e beneficiar-se dela, não é fácil de adquirir e não se faz sozinha. [...] A incapacidade de enfrentar a pluralidade de seres humanos e a ambivalência de todas as decisões classificatórias, ao contrário, se autoperpetuam e reforçam: quanto mais eficazes a tendência à homogeneidade e o esforço para eliminar a diferença, tanto mais difícil sentir-se à vontade em presença de estranhos, tanto mais ameaçadora a diferença e tanto mais intensa a ansiedade que ela gera.(p. 123)

            Apesar de radical, há uma ideia recorrente mostrada principalmente em filmes de ficção científica: não lugares, civilidade, espaços públicos não civis, máscaras, identidades construídas, falsas, tudo isso são fatores que nos afastam daquilo que nos torna humanos, ou seja, nossa capacidade de pensar, criticar, refletir, nossoas diferenças e valores. A eliminação dessas características, associada à crescente presença da tecnologia em nossas vidas, seja profissional ou pessoal, e também como intermédio de comunicação, vem nos tornando cada vez mais próximos da máquina, que não pensa por si, apenas obedece uma séire de comandos pré-programados, onde a liberdade é falseada com a sensação de poder fazer o que quiser, mas sem a percepção de que o léxico de ações tem sido reduzido à medida em que nos é limada, ou restrita, as ferramentas de educação, reflexão, e nos é imposto um sistema altamente alienante, castrador e, pior, que age de forma velada.
           
            A superficialidade das relações, a volatilidade das identidades, a não fixação ao lugar, são fatores que nos tornam muito mais manipuláveis. Pode parecer teoria da conspiração, mas somos todos produtos de um capitalismo que instaura o consumismo e o imediatismo, além do descartável, como valores primordiais.
           
            Peter Brook fala sobre espaço vazio numa concepção bem diferente da que Bauman nos apresenta, na visão de Jerzy Kociatkiewicz e Monika Kostera. Ainda assim, podemos fazer paralelos interessantes:

Enquanto Kociatkiewicz e Kostera afirmam que os espaços vazios são “lugares a que não se atribui significado”, Brook o exalta enquanto espaço de potência, necessário para que algo de relevante ocorra: “O espaço Vazio permite que surja um fenômeno novo, porque tudo o que diz respeito ao conteúdo, significado, expressão, linguagem e música só podem existir se a experiência for nova e original. “(pag. 04)

Os primeiros o caracterizam como impossíveis de serem delimitados fisicamente por cercas ou barreiras, e afirmam que “Não são lugares proibidos, mas espaços vazios, inacessíveis porque invisíveis” (in BAUMAN, p. 120). Já Brook, destaca como outra característica desse tipo de espaço é que o vazio é compartilhado. O espaço é o mesmo para todos que ali estão. e ainda que “O bom espaço é aquele para o qual convergem muitas energias diferentes e onde todas as categorias desaparecem.” (BROOK, pag. 06)

Mas, em determinado momento seus pensamentos convergem ao afirmarem que “No teatro a imaginação preenche o espaço”. (BROOK, pag. 23) e que “Num espaço livre (vazio) todas as convenções são concebíveis, mas dependem da ausência de formas rígidas” (BROOK, pg 25). Enquanto aqueles nos trazem a seguinte ideia: “Se ... o fazer sentido é um ator de padronização, compreensão, speração da surpresa e criação de significado, nossa experiência dos espaços vazios não inclui o fazer sentido.” (in BAUMAN, P. 120).

Estar no espaço vazio, em ambos os casos, nos tira do conforto e da segurança e nos lança para uma atitude ativa, onde não só o espaço, mas também as pessoas presentes nele, são icgónitas que exigem uma atitude ativa para serem preenchidas de significados. Esse lançar-se ao espaço vazio é o desafio do ator, que tem em sua missão abordar justamente a alteridade do outro, o desconhecido de si mesmo, a reflexão real sobre quem somos e onde estamos, longe das identidades e experiências pré fabricadas nas nossas falsas comunidades. É a margem negligenciada dos espaços, estejam estes fora ou dentro de nós, o lugar de ação do artista.
           

REFERÊNCIAS:
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
BROOK, Peter. A Porta Aberta. Civilização Brasileira. RJ. 2000.


Outras indicações:
Filmes: Her; Wall-E; La danza da realidad; A montanha sagrada
Livro: todos de Kerouac

29/04/2015 - coletivo

29 de abril de 2015


Hoje realizamos a apresentação da nossa  terceira atividade expressiva. Desta vez o trabalho foi em grupo, onde estavam, além de mim, Rachel, Nyka, Jana, Camila, Karla, Tati, Everson e Wallace. Fizemos um grande compêndio de fragmentos de nossas produções artísticas individuais. O tema do trabalho era ainda autorretrato, mas dessa vez deveria ser coletivo. Então o que teríamos, tantas pessoas, como elemento em comum? Temos nossas histórias, nossas experiências particulares, nossos objetivos de vida e preferências. Mas há algo que nos move, que nos faz estar todos, no mesmo lugar, com um objetivo comum. É a arte, o nosso teatro amado. Então, sendo assim, colocamos um pouco de cada um, a verdade profunda, apenas revelada pela arte, que cada um possui e está disposto a revelar. Uma grande e saborosa salada se fez!









22/04/2015 - Perfoda-se

22 de abril de 2015
Perfoda-se

Hoje assistimos ao documentário Perfoda-se, trazido pelo Prof. Dr. Adriano Cruz, apresentado como resultado prático do trabalho de conclusão de curso no Departamento de Comunicação (UFRN), dirigido por Williane Gomes e Vanessa Paula Trigueiro a partir do encontro promovido pelo II Circuito Regional de Performance BodeArte em Natal - RN, no mês de maio de 2012. 




O vídeo é muito interessante, além de fazer um panorama de várias produções no campo da performance, ele passeia por opiniões bem diversas de especialistas e praticantes da performance. Sem a pretensão de ser um vídeo definitivo, ou pedagógico, ele nos provoca reflexões sobre o nosso próprio fazer artístico, sobre os rumos das artes da cena. 
Algumas questões (ainda soltas) que o vídeo me suscitou:

- Performance é ciência?
- Espaço de fissuras, zonas de desvio.
- Que som péssimo!
- Performance é sempre cena com objetos?
- Abrir fendas, nunca  imposição.
- É difícil definir com parâmetros rígidos e fixos o que é performance, vai contra sua própria natureza.
- Está na pretensão do outro.
- Não se espera resultado?
- Não está pra dar respostas.
- Riscos, limites do corpo.
- É sensacionalista.


Precisamos de utopias, de modelos inatingíveis. O excesso de liberdade nos dá a possibilidade de conformamo-nos, o que é diametralmente oposto à nossa natureza. Na falta de utopias, o consumismo é (causa?) uma saída, um caminho que nos dá objetivos, por mais fúteis e imediatos que sejam.

15/04/2015 - Lypovetsky

15 de abril de 2015

A seguir, uma tabela comparativa entre Modernismo e Pós-Modernismo a partir do texto
Modernismo e Pós-Modernismo, de Gilles Lipovetsky. Este foi um trabalho em duplas, que fiz com minha amiga Ana Rachel Cavalcante.

LEGENDA:

D. Bell

Lipovetsky


MODERNISMO
PÓS-MODERNISMO
1
Lógica artística à base de rupturas e descontinuidade
Lógica profunda: participativa, fluida, narcisística
2
Cultura da mudança e novidade
Consagração generalizada do novo
Pesquisas inovadoras são legítimas
3
Diminuição do espaço da representação clássica
Institucionalização da revolta modernista pela massa cultural
Reabilitação da tradição, do local e da ornamentação
4
Arte de vanguarda
A vanguarda não mais suscita indignação
Enfraquecimento da vanguarda
5
Variedade de grupos artísticos

6
Obsessão pela renovação (novidade)
Rupturas artísticas são raras e as mudanças são monótonas
7
Obras novas
As obras são mais "subjetivas", mais toscas ou obsessivas, e abandonam as alturas da pesquisa pura do Novo
Obras fantasiosas, despreocupadas, híbridas
8
Autodestruição criadora
Experimentação não como pesquisa, mas como procedimento
9
Processo de negação sem limites (Adorno)
Triunfo do antimoral e do antiinstitucionalismo
Perda da carga subversiva dos valores modernistas
10
O novo se torna rapidamente antigo
Cultura pós-moderna sem inovação e audácia verdadeiras
11
Revolta contra regras sociais
Radicalismo cultural e político (Revolta estudantil, contracultura, voga da maconha e do LSD, liberação sexual, filmes e publicações pornô-pop, aumento da violência e da crueldade nos espetáculos, a cultura comum se harmoniza com a liberação, com o prazer e com o sexo)
Cultura extremista - limites do modernismo
Dissipação do imaginário revolucionário
12
Cultura de personalidade (o eu é o mais importante) – hedonismo
Hedonismo exacerbado – democratização
Indiferença dos valores, inclusive do prazer
Decadência moral e estética do nosso tempo
13
Culto ao consumismo (Capitalismo)
Consumismo - controle suave, não mecânico ou totalitário à base da sedução - Combinação livre dos elementos programados pelo consumismo
Dessubstancialização do indivíduo - moda e obsolescência acelerada
Personalização ao extremo da lógica do consumismo
14
Princípio de igualdade (liberdades públicas, igualdade dos meios: saúde, educação, etc.; igualdade de resultados: participação igual de todos nas decisões ligados ao funcionamento de hospitais, universidades, etc.)
Neutralização dos conflitos de classe
Administração generalizada do cotidiano
15
Três ordens lógicas: hedonismo, eficiência e a igualdade
Radicalização da inclinação a privilegiar "as tendências mais baixas em detrimento das mais nobres"
hedonismo muda para o narcisismo psi
16
Arte moderna (expressão do eu e revolta contra todos os estilos reinantes)
Repulsa neopuritana
A arte não é mais um vetor revolucionário
Arte inclusiva, integração de estilos, coexistência pacífica entre eles
Ecletismo, heterogeneidade dos estilos no seio de uma mesma obra, decorativo, metafórico, lúdico, vernacular, memória histórica
17
Indivíduo livre (acesso a universo livre, seja na religião, na sociedade, etc.)
Ideal da autonomia individual
Espiritualidade self-service
18
Arte liberta do passado
Reinvestimento cool do passado
Retorno ao sagrado
19
Cultura experimental e livre
Ecletismo da cultura
20
Individualização
Esfera particular cada vez mais personalizada e independente
21
Cultura individualista
Neonarcisismo - explosão da personalidade - coexistência pacífica dos contrastes
Predominância do individual sobre o universal, do psicológico sobre o ideológico, da comunicação sobre a politização, da diversidade sobre a homogeneidade, do permissivo sobre o coercitivo
Dessubstancialização narcísica
22
Essência democrática
Emancipação do indivíduo por um lado, regulagem total e microscópica do social do outro
Processo do melting post - o apagamento progressivo das grandes entidades e identidades sociais em proveito não da homogeneidade dos seres, mas de uma diversificação atomística incomparável
Desmotivação pela coisa pública
23
Processo de dessublimação
Lógica acelerada dos objetos e mensagens
Saber pós-moderno: heterogeneidade, dispersão das linguagens e teorias flutuantes
24
Cultura antiburguesa (D. Bell)
Consumo de massa: uniformização do comportamento, mas também acentuação das singularidades
Diversificação extrema das condutas e dos gostos
Dissolução das divisões em compartimentos sócio-antropológicos de sexo e idade
25
Sincretismo da arte (D. Bell)
Coabitação dos contrários - sincretismo - ao mesmo tempo cool e hard, convivial e vazio, psi e maximalista
26
Sensação da simultaneidade, do imediatismo e do impacto nas obras de arte
Fase cool e desencantada do modernismo
A arte perde toda a medida, nega definitivamente as fronteiras entre a arte e a vida, recusa a distância entre o espectador e o acontecimento, à espreita do efeito imediato
27
Cultura à base de dramatização, de emoção e de estímulos constantes
Desenvolvimento das estruturas fluidas moduladas em função do indivíduo e dos seus desejos
Os artistas recusam a disciplina da profissão, tem como ideal o "natural", a espontaneidade, improvisação acelerada
28
Obras de arte inacabadas (abertas)
Denúncia do imperialismo do Verdadeiro
Processo de abertura, alargamento das fronteiras
29
Humor e ironia nas artes
Sincrético e humorístico
Esquizofrenia deliberada